Na mesma direção

Às vezes me pergunto sobre o que seria necessário acontecer para que pessoas se unissem em prol de algo comum. A resposta que invariavelmente me vem à mente é a descoberta do valor deste “algo comum”. A medida dos nossos esforços está proporcionalmente ligada ao valor que damos a um alvo ou objetivo a que tanto desejamos chegar. Pessoas abrem mão de suas particularidades e se juntam uma as outras quando o desejo de um resultado é almejado. Uma apreciação das mesmas coisas unindo pessoas diferentes. É como o pensador irlandês CS Lewis disse que, enquanto “dois amores olham um para o outro, dois amigos olham juntos na mesma direção”.

Em Filipenses 1.27 o apóstolo Paulo faz um apelo para que a igreja estivesse firme, “num só espírito, lutando unânimes pela fé evangélica”. Ele imaginava e desejava ver uma igreja unida, dispensando todos os esforços em prol da maior de todos as causas: a fé evangélica (ou a fé cristã, pregada nos Evangelhos).

Paulo, que estava na prisão e, portanto, não podia estar na frente de batalha, queria ter certeza de que “mesmo ausente”, saberia que a igreja tinha “o mesmo modo de pensar” (Fp 2.2). É a linda palavra grega “phronéo” que significa “pensar a mesma coisa, ter a mesma atitude ou mente”. Imagine que grande consolo ele tinha ao saber que apesar das paredes e correntes da cadeia que o separava dos irmãos, todos admiravam o mesmo Salvador e amavam as mesma coisas que o Senhor amava (“tenham o mesmo amor” Filipenses 2.2).

Aqueles irmãos da igreja em Filipos, ao norte da Grécia por volta do ano 64 d.C., estavam sendo desafiados para que, apesar do diferente histórico social e de vida daquelas família, eles pudessem ter uma mesma alma, como que uma só alma formada da junção das almas de muitas pessoas – gente que doava sua alma para que todas elas juntas formassem uma nova identidade em torno da pessoa e da missão de Jesus Cristo. Eles foram chamados a (no grego) sumpsuchoi – “almar juntos”.

Minha oração tem sido para que vençamos a barreira do individualismo e do egoísmo (frutos do orgulho). Oro para que nossos olhos sejam abertos para descobrirmos e, consequentemente nos deslumbrarmos, com a beleza do amor de Jesus. Tenho pedido para que descubramos esse “amor constrangedor” (2 Coríntios 5.14), a ponto de nos anularmos (“Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” – Fp 1.21) e colocarmos os nossos esforços naquilo que é importante para nosso Mestre. Tenho pedido para que nos apaixonemos pelo Cristo poderosamente irresistível, pois só é assim, juntos amando ao mesmo Senhor, é que colocaremos os nossos esforços nesta batalha que tem frutos eternos. Tenho pedido para conseguirmos olhar juntos para a mesma Pessoa, na mesma direção, ouvindo a mesma voz, cumprindo a mesma missão.

Um dia a colcha de retalhos não mostrará sua costura – então, seremos um lindo manto perfeitamente ligado, fruto do amor incansável do Salvador (Efésios 5.27). Até lá, a costura, que é o amor de Jesus em ação hoje, deve ser mais forte do que as diferenças das cores, formas e padrões dos retalhos. Oro para que sejamos uma colcha, mesmo que de retalhos, caso contrário, seremos só retalhos.

Em Cristo e pelo Seu reino,

Jaime Cisterna, pastor

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